Estimativas apontam que uma em cada quatro pessoas no mundo não tem amigos pra valer, vive longe da família ou se sente desconectada socialmente.
Estudos englobando, ao todo, 3,7 milhões de voluntários, chegaram a uma conclusão alarmante: sentir-se sozinho faz tão mal à saúde como estar acima do peso, ser sedentário ou fumar 15 cigarros por dia. Se medidas não forem tomadas, a solidão poderá atingir proporções epidêmicas até 2030.
O brasileiro é solitário?
Mas e o Brasil? Somos um povo solitário ou sociável? Levantamento da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, revela que lideramos o ranking dos países em que as pessoas menos vivem sozinhas.
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia perguntou a 2 mil pessoas acima dos 55 anos qual o pior medo que sentiam. Três em cada dez não tiveram dúvidas em responder que é “acabar sozinho”. O receio de não conseguir enxergar ou se locomover ficou em segundo lugar, e o de ter uma doença grave em terceiro.
Por definição, solidão corresponde à diferença entre o que você espera de um relacionamento e o que ele tem a oferecer. Por esse motivo, muitos relatam se sentir solitários mesmo vivendo em uma casa cheia de gente.
Estar só e sentir solidão são coisas diferentes. Estar só remete à ideia de prazer, relaxamento e satisfação. Já solidão é sinônimo de abandono, tristeza e desamparo. Sem o enfrentamento necessário, a solidão pode evoluir para a depressão e, em casos mais graves, levar ao suicídio.
Do ponto de vista médico, solidão não é doença. Mas possui sintomas – choro frequente, perda de apetite, baixa autoestima etc. Pode ser classificada como crônica ou aguda. Todos nós, em algum momento, estamos sujeitos a “picos de solidão”.
Na infância ou na adolescência, e também quando mudamos de cidade ou de escola. Na vida adulta, quando perdemos o emprego ou os filhos saem de casa. Na velhice, quando nos aposentamos ou ficamos viúvos.
Existem evidências, aliás, de que, quanto mais jovem é a pessoa, mais solitária ela se sente. A geração americana de 18 a 22 anos apresentou, em uma pesquisa da Universidade da Califórnia, o maior índice de solidão, no comparativo com as turmas de 23 a 37 e de 52 a 71 anos. Em uma investigação inglesa, a faixa dos 16 aos 24 também compõe a dos mais sozinhos.
Um bom exemplo de solidão aguda que pode se tornar crônica é a do luto. Superar a perda de um ente querido nunca é fácil. Mas a tarefa de seguir adiante pode se tornar ainda mais difícil em casos de mortes repentinas, violentas, múltiplas ou de filhos.
Nos últimos anos, cientistas vêm esmiuçando os possíveis efeitos fisiológicos da solidão. Uma das descobertas é que seu impacto é semelhante ao do estresse.
Em estado de tensão constante, você tende a relaxar menos e a dormir mal. No organismo, o cortisol, apelidado de hormônio do estresse, vai às alturas. Isso significa na prática uma maior exposição a problemas de saúde. A alta do cortisol eleva o risco de doenças cardiovasculares e, por sabotar a imunidade, nos deixa mais propensos a gripes, resfriados e outras infecções.
Antes das repercussões físicas, porém, é provável que a desconexão social impacte a esfera mental. Indivíduos muito solitários estão no grupo que mais sofre de ansiedade, fobia e depressão.
A solidão afeta uma área do cérebro, o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões. E isso ajuda a explicar porque sujeitos que se sentem isolados do mundo tendem a dormir menos, se alimentar mal, abusar do álcool e levar uma vida sedentária.
Em face de algum dos sintomas mencionados, o ideal é procurar a ajuda de um médico especialista. Ele irá analisar o problema e lhe orientar da melhor maneira possível. Casos mais críticos podem ser tratados com o uso de medicamentos.
O Memorial Saúde dá dicas para melhorar a sua qualidade de vida.
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